“A luta pela emancipação começou em 1929, quanto se preparou aqui um memorial para a Câmara dos Deputados naquela época, hoje Assembléia Legislativa, memorial feito pelo advogado Bezerra Leite. Esta campanha foi encabeçada por Luiz Alves da Silva, José Moraes da Silva, Manuel Teodoro Aragão e Antonio Alves Aragão (todos já falecidos), e eu. Participei não apenas desta, mas de todas as lutas. Nessa época, o governador era Estácio Coimbra. A Câmara dos Deputados não votou o projeto e este foi derrotado por decurso de prazo.

Em 1935, depois da Revolução [que depôs o Presidente da República Washington Luís, impediu a posse do presidente eleito Júlio Prestes e pôs fim à República Velha], iniciamos um novo movimento – o Estado Novo nos dava esse direito – arranjando quinhentos eleitores em Santa Cruz, no território que pretendíamos formar o município. Foi quanto veio o golpe [de Getúlio Vargas] de 11 de novembro de 1937, desapareceu tudo novamente, porque o golpe acabou com a Câmara, acabou com tudo. Em 1938, veio a lei que permitia as localidades como Santa Cruz se tornar município, exigindo-se apenas que tivesse duzentas casas de moradia na sede da vila que pretendia se tornar município.

Mandamos o memorial ao interventor Agamenon Magalhães, que o mandou para a Comissão de Divisão Administrativa, da qual era presidente Mário Melo, o maior inimigo de Santa Cruz do Capibaribe naquela época, ele era o técnico que fazia a divisão territorial e administrativa do Estado. Ele deu o parecer contrário.

Passou. Lá vem 1943. Pleiteamos novamente e de novo Mário foi contra. Perdemos. Em 1948, já havia Assembléia Legislativa, pleiteamos novamente. Foi quanto apresentou o projeto o deputado Dr. Tabosa de Almeida. Na época, ficou contra, aqui em Santa Cruz, contra a emancipação política: Manoel Rufino de Melo, Manoel Caboclo e João Pereira Sobrinho, que foram a Severino Arruda, então prefeito de Taquaritinga, exigindo dele que fechasse questão contra a criação do município, como me informou pessoalmente Severino Arruda, que era contra porque era uma exigência desses amigos dele.

Então o dep. Osvaldo Lima Filho, que era o líder da bancada, fechou questão contra Santa Cruz. Tabosa de Almeida, por mais esforços que fizesse – e ele fez um esforço tremendo – juntamente com Carlos Rios, Laércio Sampaio e outros deputados da UDN naquela época, não passou o projeto.

Em 1953, fizemos nova investida. Essa gente toda que estava contra já estava de acordo, porque o governador Etelvino Lins chamou eles e disse que queria fazer o município de Santa Cruz e o de Toritama, quer eles quisessem ou não. Foi quanto finalmente foi criado o município. Era 29 de dezembro. A verdadeira história é esta!"

[Depoimento concedido em junho de 1986]

O depoimento acima faz parte dos arquivos do Jornal Capibaribe, editado durante anos na Capital da Sulanca e que registrou fatos importantes e entrevistas históricas de inúmeras personalidades.

Por Emanoel Glicério | Marcadores: , ,

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